Keiko anuncia veto a cabelo comprido em meninos e maquiagem em meninas nas escolas do Peru

Governo afirma que, com essas medidas, pretende combater o assédio e a violência sexual na escola

Keiko anuncia veto a cabelo comprido em meninos e maquiagem em meninas nas escolas do Peru
Victor Vasquez
Chega de maquiagem e cabelos longos ou tingidos nas escolas públicas do Peru. A presidente conservadora Keiko Fujimori apresentou na segunda-feira, 12, um código de disciplina destinado às escolas públicas de ensino fundamental e médio, que impõe cabelo curto para os meninos e proíbe as meninas de usar maquiagem. Estudantes de ambos os sexos não poderão pintar os cabelos.

“A ordem não deve reinar apenas nas ruas, mas também deve voltar às nossas escolas, às nossas salas de aula”, declarou a presidente durante visita a uma escola na periferia de Lima. O novo regulamento está sendo criticado por organizações feministas e de direitos humanos.

Fujimori promove uma política de mão de ferro contra a criminalidade, diante da onda de extorsões que assola os peruanos. O novo regulamento disciplinar será publicado no Diário Oficial antes de entrar em vigor, provavelmente no final do ano, segundo o Ministério da Educação.

Entre as medidas do futuro regulamento estão o restabelecimento das notas de disciplina e a expulsão de alunos por infrações mais graves, bem como a proibição do uso de celulares, salvo autorização do corpo docente.

“Existem limites, existem direitos, mas também obrigações (...). Os meninos devem usar o cabelo curto. É totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem”, disse Fujimori.

O ministro da Educação, José Chang, também anunciou a proibição do esmalte de unhas e indicou que as saias dos uniformes escolares deverão respeitar um comprimento considerado “adequado”.

O governo afirma que, com essas medidas, pretende combater o assédio e a violência sexual na escola. Mas, para as organizações feministas Manuela Ramos e Centro da Mulher Peruana Flora Tristán, “controlar aspectos como o cabelo ou a maquiagem não previne nem as agressões sexuais nem outras formas de violência escolar”.

A Coordenadora Nacional de Direitos Humanos denunciou em suas redes sociais as restrições à aparência dos alunos e afirmou que se tratava de medidas “populistas e autoritárias”. Assim que o regulamento for publicado, haverá um prazo de 30 dias para que os cidadãos apresentem suas eventuais objeções e críticas antes de ele entrar em vigor.