
O advogado Willer Tomaz apostou quase R$ 5 bilhões no ano de 2025 em jogos on-line. Em apenas uma bet, a Blaze, ele movimentou R$ 10 bilhões entre ganhos e perdas. No mês passado, Willer procurou a Justiça para exigir que a casa de apostas devolva o dinheiro, alegando que é viciado em jogos e acusando a empresa de burlar regras de jogo responsável para lucrar com sua suposta compulsão.
Em um ano, Willer perdeu R$ 163 milhões para a casa de apostas, valor equivalente à metade do lucro que a Blaze registrou ter enviado para um paraíso fiscal, a ilha de Man. Boa parte das transações acontecia em desacordo com a regulamentação federal, por um combinado entre ele e a Blaze.
Em relatório da Polícia Federal que embasou operação do último dia 4 de agosto, Willer foi apontado como “verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” de investigados pela Máfia do INSS.
Três dias antes da operação que o teve como alvo, o advogado ingressou com uma ação contra a Blaze na 44ª Vara Cível de São Paulo, com um inusitado pedido de reparação pelas perdas de R$ 163 milhões com jogos on-line em um ano.
No processo, ao qual a coluna teve acesso, Willer mostra que a relação continuada o levou a uma das escalas mais altas do programa de fidelidade da Blaze: o nível 171.
Procurado pela reportagem, o advogado ainda não retornou. O espaço segue aberto para qualquer manifestação.
Apostas durante viagem com Flávio
Willer apostava durante períodos relativamente curtos do dia, mas sempre em valores fora da realidade de um brasileiro médio. No dia 29 de julho, por exemplo, jogou das 2h às 4h. Nesse intervalo, fez 11 depósitos de R$ 100 mil cada e perdeu tudo após centenas de giros de roleta com apostas sempre acima de R$ 50 mil.
A rotina seguiu em 2026. Na manhã de 19 de janeiro, depositou R$ 500 mil na Blaze e, depois de meia hora jogando on-line, sacou R$ 1 milhão fracionado em dez vezes. À tarde, ganhou um bônus de fidelidade de R$ 325 mil (o que é proibido pela legislação), que torrou em cinco minutos. À noite, o lucro da manhã virou água, com perdas de R$ 725 mil.
Naquele dia, Willer voou de volta dos EUA ao Brasil, dando carona ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em seu jatinho – a relação próxima entre os dois virou assunto nacional nas últimas semanas, com notícias de que Flávio ficou hospedado em um apartamento de Willer em São Paulo, fez a festa de aniversário da filha em uma casa do advogado em Angra dos Reis (RJ) e que os dois viajaram juntos ao exterior cinco vezes em 2025.
Fonte: Demétrio Vecchioli




